coleção mxx

A Coleção Mirante Xique-Xique é composta por um conjunto de trabalhos resultantes da experiência de participação em nosso programa de residências de pesquisa. Todas as obras foram generosamente doadas pelas artistas, com o propósito de auxiliar na continuidade e sustentabilidade das atividades que promovemos, como também apoiar o retorno das artistas ao nosso programa.

Múltiplo #3

Beá Meira
Na Barriga da Terra [Gruna do Brejo. Força Antrópica da Ganância por Diamantes], 2025
litografia s/ papel algodão finalizadas como provas únicas com monotipia
37,5 x 50 cm
edição de 10
valor 999 reais
valor promocional de lançamento 880 reais
(10% de desconto para comunidade mxx)
mirantexiquexique@gmail.com

“A residência no Mirante Xique-Xique me possibilitou a vivência com as cicatrizes socioambientais da mineração de diamante na chapada Diamantina, no século XIX. Minha proposta de trabalho, prometia estabelecer uma alteridade radical com a TERRA ferida, mas foi apenas ao chegar em Igatu, que soube da existência da Gruna do Brejo, uma pedra escavada, no século XIX, pela força antrópica da ganância. 

Homens escravizados, usando artefatos rudimentares, cavaram uma gruta, desviaram um curso de água e perderam suas vidas no cotidiano sombrio da voracidade geofágica causada pela cobiça mineral (ARÁOZ, Horacio). A mesma violência contra os corpos foi desferida também contra a TERRA Viva. 

O extrativismo que moldou as relações coloniais na América Latina e enriqueceu a Europa fundando o capitalismo, nunca deixou de existir em nosso território. Hoje, nesses momentos extremos do Capitaloceno que vivemos, tomou uma dimensão que deixa marcas irreversíveis na biosfera para as próximas gerações.

Visitei a gruna logo nos primeiros dias, guiada por um jovem muito empenhado na dramaticidade de seu monólogo pleno de detalhes desta desmedida violência. Cruzamos uma aranha albina na passagem estreita, pouco antes de adentrar o segundo sagão, iluminado por velas e habitado pela presença de mineradores mortos.

Fiz apenas uma fotografia quando já estávamos de saída, mas trouxe comigo o desconforto de atravessar a escuridão das entranhas de onde foi retirado o brilho dos diamantes.”

Beá Meira, novembro 2025

Múltiplo #2

Rodriguez Remor
Trabalho de Campo, 2023
serigrafia com pó de mica s/ papel arnhem 1618
100% algodão, acid-free, 245g
56 x 76 cm  
edição de 24 
valor 699 reais
(10% de desconto para comunidade mxx)
mirantexiquexique@gmail.com
Trabalho de Campo (2023) de Rodriguez Remor tem tiragem limitada, apenas 24 edições. Todas as serigrafias foram produzidas artesanalmente pela dupla durante a residência no McColl Center, em Charlotte, na Carolina do Norte, em dezembro passado.
A coleção Mirante Xique Xique reúne um conjunto de obras produzidas pelas artistas residentes e os organizadores do programa. E foi imaginada como tática adicional de sustentabilidade da organização. Entretanto a comercialização dos múltiplos doados pelas residentes subsidia também o retorno das artistas ao programa. 
 
Trabalho de Campo parte da coleta de folhas secas encontradas em caminhadas pelas trilhas de Igatu. O projeto teve início com a monotipia de 300 folhas que em seguida foram organizadas para a composição final do desenho da serigrafia. Neste projeto a dupla decidiu criar uma tinta com pigmentos brilhantes que fizesse referência às pedras de mica encontradas nos rios e cachoeiras da região. “Como não gostávamos da aparência das tintas de serigrafia com glitter, decidimos incorporar um glitter ultrafino de cor preta ao processo de impressão artesanal e assim produzimos essa série de tiragem limitada.” revela Rodriguez.

Múltiplo #1

Alice Ricci
Avistamento, 2021
serigrafia s/ papel
29,7 x 38,3 cm

edição de 50 + 10 P.A.
valor 499 reais
(10% de desconto para comunidade mxx)
mirantexiquexique@gmail.com

Avistamento de Alice Ricci é a primeira obra da coleção. A serigrafia surgiu do encontro com o Mestre Chiquinho de Igatu e suas guiadas para fazer os avistamentos – as enigmáticas luzes do Cânion do Tamburi, que nas noites de lua nova aparecerem tal qual magia e iluminam as escarpas rochosas escuras. A artista a partir da repetição de traços delicados e luas minguantes, decrescentes também em escala, deu visualidade a paisagem mística vivenciada.

Os desenhos e pinturas de Ricci nos convidam a olhares demorados e a contemplação prolongada, enquanto permanecem resistentes à decodificação. Existe uma relação de ficção e mapeamento em seu trabalho. A partir de fragmentos observados de paisagens de diferentes lugares, tanto urbanos, quanto naturais, Alice Ricci, em seu processo de produção, identifica códigos visuais, regras e lógicas automatizadas para propor instalações, pinturas e desenhos. Através de composições traçadas por linhas, planos de cor e figuras geométricas, ela nos oferece uma nova percepção para aquilo que não está visível, resultado da acumulação de uma série de paisagens em uma única imagem.

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