A investigação que venho fazer na residência Mirante Xique-xique propõe um diálogo sensível entre corpo humano e matéria geológica, conectando as paisagens da Serra da Capivara e de Igatu. Como artista me coloco como mediadora entre tempos, o tempo profundo das rochas e o tempo efêmero do corpo.
ROCHA (nome provisório) é um trabalho que me convoca à me conectar com os seres não humanos. Talvez eu possa me interessar por investigar conceitos e ideias relacionados aos seres abióticos, como afirma Ailton Krenak as rochas são os mais antigos ancestrais do planeta, pois estão aqui há pelo menos 2 bilhões de anos.
Venho investigar a relação vital que a rocha elabora em mim, na cidade de Igatu mesmo que em apenas 10 dias, pretendo me conectar e conectar as rochas da Serra da Capivara. A Rocha é uma associação de minerais que, por diferentes motivos geológicos, acabam ficando intimamente unidos. Embora coesa e, muitas vezes, dura , a rocha não é homogênea. Ela não tem continuidade física de um mineral e, portanto, pode ser subdividida em todos os seus minerais constituintes, a rocha é todo mineral que forma a crosta terrestre, exceto a água e o gelo.
A vida na Terra depende de três elementos naturais: a hidrosfera, a atmosfera e a litosfera, ou seja a biosfera. Portanto é difícil imaginar que a vida seja possível sem asrochas. A rocha mantém uma relação multifacetada com os seres humanos, permeando quase todos os aspectos da nossa existência, desde as necessidades básicas até o desenvolvimento tecnológico e cultural.
Por meio de coletas, gestos, escutas e registros, a pesquisa para a elaboração de uma obra investiga as pedras como arquivos vivos, portadoras de memória, linguagem e presença. O “diálogo” não se dá pela fala literal, mas por aproximações: toque, silêncio, repetição e tradução sensorial.